PHDD

Pedro Homem e Domingos Domingues

Pedro Homem e Domingos Domingues

 

Depois da entrevista com o Manuel Amaral Netto, acabámos por nos cruzar com o trio de arquitectos (Domingos Domingues, Pedro Homem e José Rhodes Sérgio) que lidera a PHDD, que tem o escritório mesmo ao lado do estúdio da Útil no Restelo.
Sendo um dos ateliers que em Lisboa tem desenvolvido um trabalho mais interessante na reabilitação de casas de meados do século passado (as que mais gosto nos dão em vender no The Nest), a PHDD desenvolve espaços com uma linguagem purista, onde a função e adaptabilidade são palavras de ordem. Falámos com Domingos Domingues e José Rhodes Sérgio:

Atelier da PHDD

Atelier da PHDD

Fala-nos um pouco da PHDD?
Domingos - Começámos o nosso trabalho durante a última crise numa garagem na Ajuda. Eu e o Pedro conseguimos manter o atelier em 2012 e 2013, foram tempos difíceis, mas depois evoluímos e o José Maria juntou-se a nós. Ele tinha experiência de um atelier que não oscilou durante a crise, porque trabalhava muito com o estrangeiro, o que acrescentou valor à empresa em projectos de uma escala maior.
O trabalho que desenvolvemos inicialmente prendeu-se muito com os bairros sociais dos anos 50. Não só pela proximidade daquilo que são as nossas vivências aqui na zona de Belém, mas também porque começámos desde cedo a adaptar as pequenas casas que receberam as pessoas que vinham do campo para trabalhar na cidade e que hoje em dia são um privilégio. Fizemos a primeira em 2011 e temos feito várias anualmente e é um trabalho que tem evoluído bastante bem, do qual um dia gostaríamos de fazer um estudo.
José - Para além do rigor e qualidade do que fazemos, uma ideia que nos interessa muito é o facto de nos divertirmos a trabalhar, o que é realmente diferenciador, principalmente nos dias que correm. Somos todos amigos, passamos aqui tempo de qualidade e o trabalho que sai do atelier é resultado disso mesmo.

Casa de Domingos Domingues

Casa de Domingos Domingues

O que mais gostas na tua casa?
Domingos - A minha casa foi um dos primeiros projectos do nosso atelier. Gosto da ideia de saber que é possível mudar tudo, que podemos desenhar o espaço, que tem de ter a capacidade de se adaptar às várias fases da vida.
Desde o dia que comecei a fazer o desenho da minha casa até hoje a família cresceu em 4 pessoas, portanto o que interessa mais é poder mudá-la, sem ter de mudar de casa. Esta é uma ideia que se começa hoje a reflectir e não estou a falar de soluções modulares, mas sim das casas se adaptarem às necessidades das pessoas que as habitam, ao contrário da ideia de que a arquitectura pode ajustar a forma como se vive. O que mais gosto na minha casa é o facto de ter sido pensada para poder evoluir do ponto de vista familiar.
A casa divide-se em três camadas em altura e facilmente conseguimos alterar a funcionalidade dos espaços. Transformar num quarto a segunda sala dedicada às crianças ou ter um quarto maior para mim e para minha mulher e colocar as crianças noutro piso. Foi desenhada para isso acontecer, para haver espaço para cada faixa etária, até porque gosto de receber os meus amigos e que os meus filhos recebam os deles.

Casa em Caselas

“Uma casa perfeita é um local com boa luz, espaços generosos e que permite adaptar-se às várias fases da vida de quem a habita.”
José Rhodes Sérgio

José Rhodes Sérgio

José Rhodes Sérgio

Vives onde?
José - Nós os dois (José e Domingos) nascemos, estudámos e crescemos aqui. É engraçado agora continuarmos a viver e trabalhar no Restelo.

E se não vivesses aí, onde gostarias de viver?
José - Viveria na rua de cima! O Restelo, esta zona de Belém e os bairros aqui à volta têm uma excelente equilíbrio com a relação com o centro da cidade, o mar e o Monsanto. Permite ter uma harmonia entre a casa, o bairro, o interior e o exterior, que não conheço noutras zonas da cidade.
Domingos - Isso acaba por se revelar no nosso trabalho e na relação com os nossos clientes, para os quais fizemos trabalhos nestes bairros. Pela plena consciência que nós temos da vivência do bairro, não a de hoje, mas da que tivemos e que gostávamos que voltasse a ter.
Acho que a forma como traduzimos em desenho e no discurso com os clientes na apresentação dos projectos é a relação entre o interior e o exterior. Mas não aquela que vem escrita nos livros de arquitectura, mas sim da ligação entre o bairro e a casa, porque jogávamos à bola na rua e só íamos lá dentro para ir à casa de banho. Consegue-se ter aqui um estilo de vida muito diferente do que as pessoas estão habituadas numa cidade.

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Porque gostas de Lisboa?
Domingos - Lisboa é uma cidade fantástica, tem uma grande proximidade com o rio, o Monsanto, e outros parques urbanos, e tem praias muito próximas. É uma cidade que tem muito para evoluir e depois estamos cá nós, os portugueses são muito simpáticos para as pessoas de fora, se viajarmos percebemos como recebemos bem.

Casa em Caselas

Casa em Caselas

Que projecto ainda não fizeram e gostariam de fazer?
Domingos - Um museu ou galeria, tem um programa que nos permite na arquitectura fazer um pouco de arte. Quando estamos a fazer arquitectura para habitar, a função tem de prevalecer, senão a casa não se vai adaptar às pessoas, condiciona-lhes a vida. Estes programas mais teóricos têm essa possibilidade de criar um espaço para reflectir arquitectura do ponto de vista quase escultural, isso é um desafio muito interessante.
José - O Domingos está sempre dizer que ‘bons arquitectos há muitos, bons clientes é que há poucos’. É interessante pensar que estamos numa fase neste escritório que já provámos a nossa competência, já sentimos que a equipa tem capacidade para esse tipo de projectos não habitacionais.
Domingos - O bom cliente é aquele que quer estar sentado ao nosso lado, a fazer o projecto connosco. É alguém que quer perceber o que estamos a fazer, isso faz-nos questionar o nosso trabalho e quando isso acontece normalmente o resultado é melhor. Muitas vezes, quando nos vêm dar os parabéns por um projecto, nós dizemos que quem está de parabéns é o cliente, ele é que acreditou e quis trabalhar connosco.

Se tem uma casa para vender, fale connosco

 
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InspiraçãoAlvaro RamosPHDD